No bolso

E não é que ele me contou mesmo?

Abri a porta, rápido, no espaço do barulho do ar. Ali estava ele, consegui ver o rastro do levantar de seus olhos. Descalço, de pés no chão, sem camisa e com a de sempre calça jeans. Encarou-me sem desviar, e:

_ Hã?

_ O que tem aí? – minha pergunta óbvia.

_ Onde? – girando em volta de si, com as mãos grudadas dentro de um bolso.

Em resposta, uma das minhas mil caretas; ele conhecia bem. Deixei pra lá, saí.

Fomos à padaria caminhando e nos acompanhando. No pouco antes da esquina ele me contou o que tinha no bolso. Pedras com nomes.

Nome de pedra que nunca está para ser tocada, muito bem acomodada.

Nome de pedra aberta, parada por mais 30 segundos esperando se ainda tem.

Nome de pedra escorregadia. Aprendeu a nadar de afogada, depois ficou muito feliz, e só de lembrar, desce arrepios.

É… nesse bolso pedra tem. Tinha um furo também, esboroou mais nomes, mais pedras.

Quer saber como ele me falou? Sem voz, desse jeito, no silêncio das entrelinhas.

Acho que daqui alguns dias vou abrir a porta de novo, ou vou de novo à padaria, ou será que ficou alguma pedra aqui no meu bolso?

Olha aqui, passa a mão – laralala… lerele… laralala…

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