Fagulha

Dia último de ano a gente faz festa, faz barulho, mas antes dela, bem no início do dia a gente tem um quê de solidão, solitude, ou algum outro “so” que queira escolher.

Nessa hora vêm lembranças involuntárias, puxadas sem levantar a mão. É a hora da despedida.

E assim, vieram algumas minhas, sinto muito, mas são minhas. Foram despedidas de casa, de escola, de cidade, de brinquedos, de papéis, de ambientes, de pessoas, de sentimentos. Estou aqui a pensar quantas dessas a vida me trouxe e quantas eu trouxe para a vida. Bem que tento separá-las, mas é uma mistureba confusa e como já foram, já foram.

Saio de mim e observo minha postura, meus gestos, meu eu aparente nesses momentos, e o que vejo é o desejo de tirar o que tenho dentro para presentear ao que fica, ao que continua. Mesmo que a vontade de ir seja tão grande, mesmo que coisas a esquecer fiquem para trás, mesmo que a ansiedade desponte, ainda assim quero presentear. Minha gratidão pelos vínculos “aparecidos” torna-se latente. As pré-conclusões nesses instantes fugazes, significativos, são de que me desenvolvo, mostrando um pouco de mim e levando um pouco do outro. Já não sou o que era antes de ter chegado, sou diferente.

Os últimos minutos teimam em ser usados para justificativas da minha nostalgia, de quanto se passou e eu não fiz, de quanto poderia ser e não fui. Que bom que eles são poucos e passageiros também. Assim concentro-me no que ainda tem por vir.

E nesse rebuliço todo que toma conta de mim, fico feliz. Converso com Deus e sabemos que, minha disposição para a vida é sempre em ser eu mesma, e aí eu fico mais feliz porque sei que Ele se alegra também. Compartilhamos um relacionamento de cumplicidade – ui, falei, falei e saiu tudo a mesma coisa – é o quê estou assim.

Nesse ano de blog então, agradeço a você leitor, por ter se dividido comigo. Esse pouco que dividimos tornou-me mais eu, com uma expectativa gigante de explorar o que tanto me move!

Descubro a cada despedida, que sou fagulha.

Gerusa Pedreira e Silva

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2 comentários sobre “Fagulha

  1. Olá Ge!!

    Com certeza a solitude faz parte do tempo de reflexão e de projetos novos e tantos outros por terminar.

    Como é bom sairmos de nós um pouquinho e observar o quanto já vivemos, aprendemos, ensinamos, sofremos, nos alegramos, nos despedimos de tantos que amamos…em fim….vivemos!

    Agradecer sempre ao Pai que nos da a oportunidade de conhecer pessoas e viver com elas o ser cristão.

    Bjks

    Sonia

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