meu “se”

li esses dias o livro “a menina que acordava as palavras”(nani). percebi no final que, comigo acontece o contrário, “as palavras que acordam a menina”.

a cada dia desperto com um assopro dado por elas.

alguns dias fico mal-humorada:

como assim, quem te deu o direito de aqui chegar e me acordar? de me fazer precisar de mim?

outros, muito animada:

fui visitar a casa das rosas, canto encantado, e lá no meio dos suspiros, umas palavras me acordaram, foram as de manoel de barros. além de rosas, exalou o cheiro de chão, de terra. como não gostar?

e como gostei, futuquei sua estória, descobri que ele nasceu lá para os meus lados, onde se vive na terra, mas pouco fala-se dela, e cresceu bem em cima do meu chão.

outro dia, na livraria da vila, que palavras me acordaram? foram “memórias inventadas”, um livro desse mesmo fraseador. e aí pensei: era isso que eu precisava!

e não é assim mesmo? do replantio da raíz vem, a renovida?!

quando na sua estória, um fantasma te ajuda a buscar palavras fugitivas (um inteiro, de carne e osso), aprende a traquinar com ele. Cresci, e ele continua aqui, fico à procura.

se não achá-las a tempo, encontrei uma alternativa para se viver v-i-v-e-n-d-o.

_ agora sim, assumo o meu “se”:

se eu tiver o mal de esquecer-me, vou escrever “memórias inventadas”.

Gerusa Pedreira e Silva

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