Continuando isso que ela faz

Voltei, e estou aqui entre o acredito e o desacredito.

Teimosa intensamente, Miraléia ao invés de estadiar-se em dormência, inventa de embarcar em viagens, até mesmo para o interior, e é uma dessas que vou lhes contar.

Chegando, vestida de interior inteira, no meio da sala de visitas um tipo atípico à sua espera. Ela já sabia da existência desses tipos, mas nunca havia presenciado um. Já que estava bem à sua frente foi averiguar, o que sua vizinha não bem conhecida e recém-falecida lhe deixou.

Era um animal grande e bem bonito. Segunda vista nem despontou, e dele já gostou.

Sem explicação novamente, era um ser daqueles com o poder de fazê-la sentir vida viva. Tirou uma coisa guardada para ela: um poema. Tirou de onde, sem mãos, sem bolsos?

Não sei.

Miraléia disse uma vez que, o poema bonito expressava tudo que estava dentro dela, e ela lembrava-se das letras todas, só não conseguia dizê-las.

Eu entendo.

O animal estava deitado, despreocupado, sem saber que não era eterno, mas disso ela entendia mais, e não querendo doer de esquecimentos fez o feito de chamar um veterinário, que dele cuidou e curou. Quando foi pagar os serviços médicos esvaziou-se até de seus badulaques. Lisa e limpa ela ficou. Teve de voltar, sem ter ido embora.

Uns dizem que foi tola, outros um exemplo de compaixão, tantos mais um vazio sem fundo.

Se hoje lhe perguntam se dessa estória esqueceu, ela diz que apenas guardou, sem motivo algum, sem jogar fora e sem usar.

O que é entendido, não dito, é que ela ainda está no feitio feitiçado de seu jeito de mostrar, e quando chegar a hora (que ainda seja hora) de tanto encantamento pode achar que não viveu, só sonhou.

Isso que ela faz continuamente de perguntar às palavras, antes de se deitarem no papel, os tons e cores que vão se cobrir, de perguntar até a música que querem ouvir, pode ser uma explicação do precedente e do cedente, ou como quer que se chame.

O que sei é que, ela ainda diz: “o que antes eu não conhecia ainda não cabia em mim”.

Acho que precisamos estudar mais Miraléia.

Gerusa Pedreira e Silva

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