Belisca

Francisca estava sonolenta ,

entre um sono e outro, um sonho entrou.

Fresta pequena agigantada.

Ela viu o vento dançar no amanhecer.

Ah! Como ele é!

Sem pensar na hora, sem pensar no lugar.

Deveria ser à noite – hora de bailes

Deveria ser no salão – lugar de bailes

O vento não estava bravo.

Estava furioso, histérico, eufórico.

Agitado na brincadeira de correr com as folhas secas,

levantando-as dos lugares que já não são.

Vento voante, vento ecoante, balançante dos pés.

Confusa entre o real e a fantasia, sabia de outros casos como o seu:

Amigo imaginário – ele não está

Gravidez imaginária – um bebê que não virá

Coceira imaginária – um membro que já se foi

Francisca me contou:

“o vento me perguntou se eu não era um sonho, então eu o respondi: se belisca!”

Gerusa Pedreira e Silva

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