Menino sem nome

Veja isso. É um menino perdido.

_ Como? Não sou não. Sei que estou bem aqui, euzinho inter-in.

 Ele mais parece uma mosca.

Quando a gente espera, ele fica lá nos vãos do vento.

_ Eu nem faço doer.

Dor doída não, dá de coceira, chego a me espremer,

escorrendo por um fio, sem força alguma, sem peso.

_ Sei de nada não, só o que as paredes dizem por aí.

Olha minha testa, franzindo sem que eu mande,

essa mão inventa de falar com a outra,

e meus ouvidos, escutando cada um, um som.

_ Eu só conto as noites no mundo, bem acordado.

Leva embora esse menino.

Tanto contra eu fiz, virei consumista de pensamentos,

nem bem um acaba, fico eu, na brancura do papel caçando o preto das letras.

_ Foi você menino. O que é que estou aqui tagarelando?

 Nem nome você tem, cada um te chama como quer.

_ É que minha mãe me quis livre, ainda vou escolher meu nome.

_ Já não é hora? Quanto tempo faz isso?

_ Tô achando é canhotice de idéia.

Anda, anda, despublica o que ele diz.

Manda logo pra um exílio,

mas tem que ser do que separa, não do que ajunta.

Gerusa Pedreira e Silva

 

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2 comentários sobre “Menino sem nome

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