Um mundo para mim

Quando nasci, chorei e abri os olhos. Meus primeiros movimentos foram de esticar e encolher, descobrindo assim do que eu era capaz. De mim e de você sempre fez parte o expandir, contrapondo-se à estagnação natural de tudo o que não é um ser. Recebi um sexo, um nome, um limite de espaço; e assim com o passar dos dias fui aprendendo uma língua, uma música, uma história. Empossando-me dos dias continuei acreditando que estava construindo um mundo para mim.
As Redes Sociais são meios que usamos para continuarmos no mundo nosso, assim mesmo como somos, aglutinando um número cada vez maior de pessoas com as mesmas crenças, divergindo em alguns pequenos pontos é claro, afinal uma pimentinha ajuda a deixar o diálogo mais atraente, entretanto iludindo-nos de que estamos globalizados.
Como adolescentes, usamos os grupos de comuns para criarmos nossa identidade, protegendo-nos dos não comuns , afinal eles podem nos deixar confusos.
Paira sobre nós, entre nós e fazendo respirar nossos pulmões a necessidade de rotularmos tudo o que vemos, ouvimos e até o que imaginamos. Assinamos uma cloud para que assim onde estivermos, ou onde chegar nossa voz e nosso olhar possamos identificar e comunicar com nossos pares.
Porém só haverá crescimento, auto desenvolvimento quando nos aprofundarmos nessas conversas, quando o diálogo tornar-se discussão. O reconhecimento de que o outro, seja quem for ele, pode me ensinar também, mesmo que não cheguemos a um acordo sobre o assunto, será o fio condutor para a aproximação da verdade.
E por que o outro pode me ensinar ?
Porque todo ser é único em suas experiências, não só pelos ambientes que passou, mas também pelos olhares que teve quando passou por cada um deles.
Porque através do questionamento de um diferente de mim poderei testar minhas certezas.
A partir do momento que conheço o caminho percorrido para a concepção de uma idéia torno-me tolerante para com o outro. Existe a possibilidade de ocorrer uma empatia.
A defesa de uma idéia a despeito de qualquer circunstância é o fanatismo pelo poder. E fanatismo é cegueira, visão de uma coisa só : a escuridão.
A clareza, transparência, virá à tona quando houver a exposição minha e sua. Muitas vezes esse processo vem acompanhado de dor, e junto uma grande satisfação também, afinal “nascer é uma alegria que dói” (Eduardo Galeano).
O uso das palavras torna-se útil quando é compartilhado, espalhado, dividido para acrescentar e não para diminuir ou fazer cisões e até mesmo segregações. As aglutinações que surgem dessas palavras precisam ter pele, pêlo, conforto, jamais espinhos.
Valerá a pena descobrir que um mundo para mim pode ser bom, mas um mundo para nós é o real e bem melhor.
Gerusa Pedreira e Silva

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