Flores para vivos e mortos

Caminhando na calçada,

Dei-me o prazer de andar sem pressa.

Foi quando meus olhos tiveram a chance de buscar a beleza.

Vi, atrás de um muro com grades, um lindo jardim.

Bom lugar para ele, ao redor de um hospital.

Lugar de gente que tem tempo pra sonhar.

Pintado de verde, muito verde,

e alguns detalhes amarelos :  flores.

O pincel que ali dançava

era uma criança correndo.

Fugia de sua mãe.

Imaginei a fala dessa mãe preocupada :

“_ Não pode arrancar as flores, volte aqui.”

Só que a música estava envolvente.

Eram os risos da criança que soavam.

Incontrolavelmente ela riu também.

Foi quando meus olhos mostraram-me outras flores.

Vi-as à frente de um cemitério.

Bom lugar para elas.

Lugar fácil para presentear os mortos.

Essas já estavam arrancadas.

E perguntei-me então :

“_ Por que não ?”

Flores mortas,

ainda anunciando vida,

“amarelas”,

alegrando vivos

e

presenteando mortos,

que

ainda exalam vida.

Gerusa Pedreira e Silva

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