Construção do Belo

Alguns dias e dias seguidos, zunindo em meus ouvidos, aquarelando em meus olhos, experimento o Belo.

E só ele mesmo.

Na maciez dos bebês, na curiosidade das crianças, no aconchego dos namorados, na força frágil de uma mãe determinada, nos cabelos brancos de um avô carinhoso.

Outros dias e dias seguidos, exala-se o cheiro do desagradável.

E só ele mesmo.

Na generosidade usada como máscara do egoísmo recorrente, trazendo à luz sua própria glória com a miséria do outro.

Na fatalidade de um sumiço de história, que a memória insistiu em denominar iletrada.

Intrigo-me :

Condição desfavorável a minha ?

De estar apenas a observar, de ansiar o que está fora para dirigir meus atos ou meu humor ?

Nem tanto.

É tão mais fácil encontrar o Belo e o Feio no outro.

_ Onde está o meu belo ?

Nos primeiros dias encontro alguns e mais, nos demais encontro um, e nada mais.

Creio que temos algumas, dentre muitas opções a brotar:

Uma disposição impensada,

Uma compaixão desenfreada,

Um olhar penetrante,

Um toque que sabe dizer coisas,

Um cantarolar despercebido,

Uma contação de história que faz sonhar,

Um sorriso traduzido em gratidão,

Uma quietude certificando-se do tempo de espera.

Escolher uma basta, e assim construo outro Belo a partir do meu.

Encanto-me !

Toda beleza não se contém, comove , traz alegria e promove o bem.

Gerusa Pedreira e Silva

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